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PROTESTO

Em 1ª marcha, mulheres indígenas protestam contra governo Bolsonaro

As mulheres são de aldeias de estados como Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Roraima e Mato Grosso do Sul. E de outros países da América do Sul.

14/08/2019 05h11
Por: Mais São Bento
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Mulheres indígenas realizaram um protesto na manhã desta terça-feira (13), em Brasília, contra políticas do governo Jair Bolsonaro (PSL) e em defesa das aldeias e terras.

O ato reuniu milhares de pessoas e faz parte da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, cujo mote é "Território: nosso corpo, nosso espírito". A Polícia Militar estima que em torno de 1.500 pessoas tenham participado. Já os organizadores falam em 2.000. Não houve confusão. 

Foi organizada pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e teve até vaquinha para financiar a viagem dos indígenas para a capital federal - conseguiram arrecadar pouco mais de R$ 49 mil. Ocorre em meio ao Fórum Nacional de Mulheres Indígenas, de 9 a 14 de agosto. 

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A ocupação do prédio do Ministério da Saúde nesta segunda (12) foi outra ação das indígenas no âmbito da Marcha. O alvo foi a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). Elas são contra a municipalização da saúde indígena e a chefe da secretaria, Silvia Waiãpi, militar e indígena. 

As indígenas saíram da Funarte por volta das 9h desta terça e seguiram até a Esplanada dos Ministérios. A organização estima a participação de mais de 300 etnias no ato, que se uniu no fim da manhã a um protesto contra o contingenciamento de verbas para a educação. 

As mulheres são de aldeias de estados como Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Roraima e Mato Grosso do Sul. E de outros países da América do Sul.

"Esse governo totalmente autoritário e conservador quer negar e explorar nossos territórios, negando nosso direito de existir", diz a líder indígena Sônia Guajajara, uma das organizadoras da marcha. "Viemos para marcar posição e mostrar que estamos alertas e vigilantes."

Bolsonaro tem um histórico de declarações e medidas contra indígenas. Defende mineração em terras indígenas, já questionou o assassinato de um índio no Amapá e tentou transferir da Funai (Fundação Nacional do Índio) para o Ministério da Agricultura a demarcação de terras. 

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Nesta segunda, durante viagem ao Rio Grande do Sul, o mandatário afirmou que "cocozinho petrificado de um índio" pode atrapalhar licenciamento de obras. Em seguida, disse que era preciso integrar indígenas na sociedade. 

"Precisamos garantir que nossos territórios sejam respeitados. É a razão da nossa existência. Estão invadindo nossas matas, matando rios, envenenando terras" diz Luisa Canuto, 60, índia Tabajara que vive no Ceará.

Patricia Kamayura, 32, do Xingu, diz que uma marcha de mulheres indígenas é importante para mostrar que elas podem lutar lado a lado com homens na defesa dos direitos indígenas. "Viemos reivindicar o que está na Constituição e é nosso por direito."

Nesta segunda, um grupo de lideranças indígenas foi até o STF (Supremo Tribunal Federal) para falar com a ministra Cármen Lúcia sobre direitos indígenas. 

Segundo Guajajara, a ministra se mostrou receptiva quanto às demandas. Entre os assuntos falados, o "marco temporal" (tese que enfraquece direitos dos indígenas a terras) e territórios que poderiam ser afetados. 

A programação da Marcha inclui também um seminário na Câmara na tarde desta terça. 

Com receio das movimentações em Brasília, o governo Bolsonaro autorizou que a Força Nacional seja acionada para realizar a segurança da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes.

A portaria foi publicada no Diário Oficial da União, assinada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e é válida para terça e quarta-feira (14).

Além da Marcha das Mulheres Indígenas, será realizado nesta semana outro ato em defesa dos direitos das mulheres: a Marcha das Magaridas, de trabalhadoras rurais, na quarta. Manifestantes começam a chegar nesta terça à capital.

 

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